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Sintomas

 

    Podemos considerar o sintoma como uma mensagem do organismo significando que ele não está " funcionando harmoniosamente".

    Podemos considerar um doente como uma pessoa que cessou de se adaptar ou está em conflito de adaptação com seu ambiente - mental e físico.
Ele está fora do tom - muitas vezes de um modo muito acentuado.
Coisas inócuas ou imperceptíveis, ou mesmo saudáveis, para o indivíduo normal causam agora sofrimento e talvez dano. (Margaret L. Tyler, 1965, p. 74) 2

    Como não queremos deixar uma 'mensagem' desta importância sem uso, a usamos para justamente reconduzir o ser doente a uma harmonia de funcionamento.

    Estas 'mensagens' ( sintomas) tem por características expressar a individualidade do ser (sua totalidade) e por não serem todos sintomas iguais, nem terem o mesmo grau de importância.

    Eles podem ser :

  1. Sintoma raro, estranho e peculiar.

1 a) sintoma raro - diz respeito a uma avaliação quantitativa da freqüência de aparecimento deste sintoma na história do paciente observada pelo observador . Assim, raro se contrapõe a freqüente, comum. Ele também é o que é anormal, o que foge a regra. ( Biolchini, 1990, p. 96)

1 b) sintoma estranho - "depende de outra operação por parte do observador : a previsibilidade de um fenômeno vital. O estranho é o que não é previsível. A capacidade de prever depende da operação anterior : avaliação da freqüência e determinação de uma norma *1. Assim, tudo o que é estranho também é raro, mas nem todo sintoma raro é necessariamente estranho. A previsibilidade depende de uma expectativa, que está baseada num certo grau de certeza do que pode ou não ser esperado de um determinado evento em certas ocasiões. A previsibilidade está em função de uma familiaridade com relação aos eventos observados. Portanto, o sintoma estranho é o que é insólito, inesperado, paradoxal, em contraposição ao que é previsível, esperado e familiar. " 1

1 c) sintoma peculiar - " pecúlio é propriedade, bem. O sintoma peculiar é aquele que é considerado como uma propriedade que o sujeito carrega consigo aonde quer que ele vá, como sendo inerente à pessoa. Aqui a operação do observador é de atribuição de uma marca ao sujeito, que é percebido como sendo seu portador ou proprietário. Assim, o peculiar é o que é próprio, é um atributo, um bem, que neste caso por ser sintoma e portanto ser avaliado como de natureza patológica, é considerado um mal" 1

2 ) sintoma modalizado - é o que qualifica o sintoma, é a " forma com que se altera(m) o(s) sintoma(s) ou o(s) fenômeno(s) relacionado(s) ao(s) sintoma(s)" 1 :

2 a) "condições ambientais, patológicas, fisiológicas, psicológicas ou sociais que desencadeiam o aparecimento ou desaparecimento do sintoma, ou que interferem na intensidade do mesmo ( agravações e melhorias) " 1 ;

2 b) "referências espaciais ( localizações, direções, irradiações)" 1 ;

2 c) " referências temporais dos sintomas ( horários, durações, períodos), ou entre os sintomas ( alternâncias, sucessões, concomitâncias) ou entre sintomas e outros eventos ( antes, durante, depois)" 1 ;

2 d) " descrições qualitativas, isto é, adjetivações dos fenômenos vitais ( quente, súbita, pressionante, violenta, ansiosa, vermelha, grande, etc) 1 ;

As vezes uma modalização ocorre na grande maioria dos sintomas de um medicamento, como é o caso do agrava por movimentos da Bryonia. (Margaret L. Tyler, 1965, p.68)

3 ) Sintomas gerais, particulares e comuns

3 a) Sintomas gerais - São sintomas em que cabem o "eu …" , dizem respeito ao doente em geral e que são muito importantes "quando denotam mudança de mentalidade ou de sensibilidade devido à doença. Os desvios da normalidade da raça podem ser importantes, como infundada suspeita ou ciúme; mas os desvios da normalidade do indivíduo são ainda mais importantes. Formam parte integrante do quadro clínico." 2

3 b) Sintomas particulares - Os "meu ou minha.." . São particulares porque apesar de dizerem respeito ao todo, se referem a uma alteração a uma parte de seu corpo. (Margaret L. Tyler, 1965, p. 67, 68) 2

3 c) Sintomas comuns - São os sintomas comuns a muitas doenças e a muitos medicamentos, não modalizados. Febres, vômitos, irritabilidade, etc.

Importante considerar que :

  • Modo de ser não necessariamente indica doença, embora individualize o ser. Ou seja, modo de ser pode não ser um sintoma.
  • " Mas devemos lembrar-nos que não é apenas um único sintoma, mas o complexo sintomático que tem que concordar na droga E no doente, apesar de que um sintoma preponderante pode muitas vezes levar-nos a consultar a Matéria Médica, para ali verificarmos que a droga que o provocou , provocou também o restante dos sintomas" 2 mas isto é apenas uma das possibilidades. - sintomas são importantes, mas em seu conjunto, poucas vezes são tão importantes isoladamente que por um deles se possa escolher o medicamento.
  • É importante se avaliar os sintomas que o doente tem e não os que ele não tem . (Margaret L. Tyler, 1965, p.74) - ou seja, o fato do doente NÂO ter um sintoma não necessariamente impede de ser este o medicamento elegido, se o TODO concordar. Afinal, a patogenesia é um mosaico construído com os sintomas de vários indivíduos. Um indivíduo que tome determinado medicamento não vai apresentar TODOS sintomas descritos em sua patogenesia.

 

 

* 1 - sintoma - nota da autora

1 - BIOLCHINI, JORGE. A abordagem lingüística da semiologia homeopática. Revista de
Homeopatia
. São Paulo: Associação Paulista de Homeopatia, v. 55, n.4, p. 95-99,
out.nov.dez. 1990.

2 - TYLER, MARGARET L. Curso de Homeopatia. 1965

 

 

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